quinta-feira, 28 de março de 2013

Rabiscos são idéias na visão do tolo.



A mente se ocupa de formas orgânicas ou de desgastantes efemeridades, que torna rabiscos em  idéias na visão do tolo.

 E é isso que torna mais tenebroso os hits radiofônicos, obras cinematográficas de plástico e outros nichos que se embrenham na surdina para as paradas de sucesso.

                                            Mas oque torna uma obra respeitável?

É o artista criar, definir e trilhar os caminhos, nas próprias idéias? E fazer de sua obra uma extensão de sua vida, fazendo o público acreditar em cada palavra inventada?
A ironia é perceber o quanto o público perdeu a percepção do que é real, do que é importante e do que faz sentido.
Fico pensando se essa percepção algum dia existiu. Lembro de um evento acontecido há mais de 20 anos que corrobora com minhas dúvidas.

Politica e religião são combustíveis perigosos nas mãos de pessoas ignorantes e/ou sem caráter. Como no vídeo de 1992 onde a cantora Sinead O'Connor que  foi no programa Saturday Night Live fazer uma capelinha da música War do Bob Marley, e ao final rasga uma foto do Papa João Paulo 2. O ato foi uma forma de protesto contra os abusos cometidos por padres contra crianças, ou seja, é Davi contra Golias.
O segundo Vídeo é uma apresentação poucos dias depois num tributo ao Bob Dilan onde quase toda a platéia vaia pedindo sua saída
.
Num dos momentos mais incríveis da música ela repete o início da música  "War"

Até que a filosofia que sustenta uma raça
Superior e outra inferior,
Seja finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada
Haverá guerra, eu digo guerra
Até que não existam cidadãos de 1º
E 2º classe de qualquer nação
Até que a cor da pele de um homem
Seja menos significante do que a cor dos seus olhos
Haverá guerra

O público parece não saber se vaia ou aplaude a cantora que sai do palco sendo abraçada pelo saudoso Kris Kristofferson.
Depois  ouve um boicote silencioso na sua carreira, que fez pouco ou nada de relevante.
Até imagino que a maioria dos jovens nem a conheçam.
Mas quem era aquele público que estava num show dedicado ao Bob Dylan?
Um dos cantores mais politizados da história da música moderna com clássicas interjeições contra guerras, políticos e pessoas...e esse povo não conseguia distinguir o certo do errado? Numa questão ao meu ver tão simples?

A mente humana parece ser um antro de vulgaridade e futilidade, e como um imã atrai somente o ordinário e o banal...o lugar-comum.

Afinal, quem é mais inocente? Os Padres ou as crianças ?

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